Cirurgia Oral e Maxilofacial

Infecções dentárias e maxilofaciais

As infecções dentárias e maxilofaciais de origem odontogênica, ou seja, proveniente dos dentes, é sem dúvida um dos prblemas mais difíceis de serem tratados em odontologia. São originadas da polpa dentária e podem se disseminar para o osso de suporte dos dentes e espaços profundos da boca, dos maxilares, da face, do pescoço, da cabeça e do tórax.

Podem ser de BAIXO GRAU, necessitando tratamento mínimo envolvendo tratamento de canal do dente envolvido e medicação antibiótica, ou de ALTO GRAU, necessitando tratamento cirúrgico bucomaxilofacial agressivo para drenagem dos abcessos e evitar a progressão da infecção.

É importante entender que as infecções maxilofaciais progridem rapidamente. Em poucas horas, um paciente infectado pode desenvolver sintomas graves como febre alta, dor no corpo, dificuldade de respirar e fraqueza generalizada, podendo progredir ainda para uma situação com risco de vida.

Etapas da infecções orais e maxilofaciais

  1. Inoculação: início da colonização das bactérias;
  2. Celulite: inicia 3 a 5 dias após a inoculação. Caracteriza-se por rápida evolução, área avermelhada e endurecida, dor exacerbada e limitação funcional da região afetada;
  3. Abcesso: ocorre 7 dias após o início da infecção. Ocorre predominância de bactérias anaeróbias e caracteriza-se por um edema (inchaço) flutuante a palpação, de coloração mais amarelada e limites bem definidos. Também limita a função da área envolvida, mas a dor associada é menos acentuada. Há formação de pus. Pode ser drenado espeontaneamente ou cirurgicamente.
  4. Reparo e cura: normalmente inicia após a drenagem espontânea ou cirúrgica e tratamento medicamentoso. O sistema imune se torna apto a atingir e combater as bactérias infectantes. As funções da área atingida voltam ao normal e a dor regride.

Tratamento das infecções orais e maxilofaciais

1 - Avaliar a gravidade da infecção:

Investigar o histórico completo da condição que o paciente apresenta (duração, tempo de evolução, extensão da infecção, sinais e sintomas, tratamentos anteriores) e monitorar os sinais vitais do paciente (temperatura, pulso, frequencia respiratória e pressão arterial). Para esta etapa, é necessário um exame clínico minucioso intra e extra-oral, e exames complementares precisos (radiografias, tomografias eexames laboratoriais).

2 - Avaliar o mecanismo de defesa do hospedeiro (paciente):

Através de uma avaliação clínica e laboratorial (exames de sangue) o cirurgião pesquisa por condições ou doenças sistêmicas, congênitas ou adquiridas que possam comprometer o sistema imune (sistema de defesa) do paciente e prejudicar ou impedir o combate a esta infecção.

3 - Tratamento dentário/cirúrgico:

O princípio básico é a remoção da causa, que pode ser alcançada através de um simples tratamento de canal do dente afetado ou com cirurgias mais agressivas, dependendo da extensão da infecção. Em casos moderados e graves, a incisão e drenagem do pus acumulado e remoção das bactérias presentes facilita a cicatrização das regiões afetadas, pois permite uma melhor vascularização, facilitando assim a chegada de células de defesa e a penetração dos antibióticos.

4 - Tratamento de suporte:

Tratamento coadjuvante ao tratamento cirúrgico, fornecendo ao paciente medidas para uma melhor recuperação da saúde geral. Hidratação abundante, alimentação com alto teor calórico e medicação analgésica e antibiótica contribuem para uma recuperação acelerada.